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Concebido pelo poder do Espírito Santo

 

O Espírito Santo é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e fecundá-la divinamente, ele que é o Senhor que dá a vida, fazendo com que ela conceba o Filho Eterno do Pai em uma humanidade proveniente da sua.

A aula de hoje introduzirá o capítulo destinado à Mariologia. Falar sobre a Virgem Santíssima e falar do próprio Cristo é uma necessidade, por isso, o Concílio Vaticano II lançou a tendência de inserir a Mariologia dentro da Cristologia, o que se percebe pela ausência de um documento exclusivo sobre Maria neste concílio.

O Concílio Vaticano II inseriu as decisões acerca de Maria na Constituição Dogmática Lumen Gentium, e isso se deu porque o CVII é um documento eclesiológico e não cristológico. Essa tendência ganhou corpo e até hoje se vê nos curso de Teologia a mariologia sendo tratada dentro do contexto da eclesiologia. O problema imediato é que a mariologia fica incompleta, pois a Virgem Santíssima deve ser estudada e tratada nos dois âmbitos: cristológico e eclesiológico, os quais estão também intimamente ligados.

A realidade acerca de Maria Santíssima é sempre paradoxal, por exemplo, ela é filha de Deus, mas é Mãe de Deus, ela é serva de Deus, mas é Senhora, é membro da Igreja, mas é Mãe da Igreja, e assim por diante. É preciso recordar sempre que à ela foi concedido um privilégio único, jamais concedido a nenhuma criatura: ela gerou o Filho de Deus. Então, além de ser criatura como todas as outras, teve a graça de gerar na terra aquele que foi gerado antes por Deus no céu.

O Catecismo fez a opção de tratar a Virgem Maria no âmbito da cristologia, afirmação esta corroborada pelo próprio Credo: ‘concebido pelo Poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria...”.

Jesus Cristo é filho de Deus na eternidade e, na eternidade, foi gerado eternamente, de uma forma que não cabe ao homem compreender. O Pai gera o Filho no amor do Espírito Santo, esta é a definição mais sucinta da santíssima Trindade. Aqui neste mundo houve a Encarnação que é a manifestação histórica que aponta para aquela realidade que está no céu, como um espelho, por meio da ação do Espírito Santo na Virgem Maria. A Bíblia nos dá a conhecer exatamente isso: Jesus nasce recebendo de Maria a sua humanidade:

O Espírito Santo é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e fecundá-la divinamente, ele que é o Senhor que dá a vida, fazendo com que ela conceba o Filho Eterno do Pai em uma humanidade proveniente da sua. (485)

Maria não é somente o receptáculo da ação do Espírito Santo. Não, ela é ativa, pois, a humanidade de Jesus é proveniente dela. Portanto, Ele é totalmente filho do Pai, ao mesmo tempo em que é filho de Maria, não na mesma proporção ou da mesma maneira, é evidente, uma vez que não é possível dizer que Maria e Deus estão no mesmo nível. Porém, é possível afirmar sim, que ela é a verdadeira Mãe de Jesus.

Sobre Maria, é comum a utilização de três afirmações: Maria, Filha de Deus Pai, Maria, Mãe de Deus Filho e Maria, Esposa do Espírito Santo. Estas três afirmações são corretas? Sim. Todavia, não é possível aplicá-las todas, ao mesmo tempo, ao momento em que o Filho está sendo gerado na História, pois daria margem a interpretações erradas. Estas afirmações não podem ser tomadas ao pé da letra, pois são metáforas.

Maria é mãe de Jesus, isto faz parte da Revelação. Mas, como se isso ocorreu? É um mistério. O que é sabido é que Maria, aqui na Terra, participou de algo que Deus faz no céu. Assim, no mistério da Encarnação, Maria se torna, de alguma forma, um ícone, uma imagem de Deus Pai. Ela é a expressão histórica da fecundidade de Deus na eternidade. Maria é a única fonte biológica do Filho de Deus. Toda a humanidade de Cristo vem da humanidade de Maria, de uma maneira que não nos foi dado conhecer. Da mesma maneira que no céu é Deus Pai a única fonte geradora de Jesus Cristo, aqui na Terra é Maria a única fonte biológica Dele, submetida, evidentemente, à ação extraordinária de Deus Pai pelo Espírito Santo.

Maria é filha de Deus, da mesma maneira que todo o restante da humanidade, ou seja, sendo membro do corpo de Cristo, da Igreja.

Maria é esposa do Espírito Santo, este título surgiu no Ocidente, no II milênio, mas precisamente junto aos franciscanos. Na literatura este título é encontrado em São Luis Maria Grignion de Montfort, em São Francisco e no Papa João Paulo II, e sempre se referem à intimidade e docilidade de Maria com o Espírito Santo.

Dentro da história salvífica percebe-se uma identificação entre o papel Maria e do Espírito Santo, por exemplo, assim como o Espírito Santo é pai dos pobres, Maria é mãe dos pobres; assim como o Espírito Santo é o consolador, paráclito, Maria é a consoladora dos aflitos; assim como o Espírito Santo é auxiliador, ela é o auxílio dos cristãos.

Existe uma tal docilidade de Maria à ação do Espírito Santo que ela pode ser também chamada de ‘a esposa do Espírito Santo’. Entretanto, nenhum desses dois títulos pode ser reconduzido ao momento da Encarnação, são coisas diferentes que ocorrem em diferentes momentos da história da salvação.


Fonte da Notícia: Padre Paulo Ricardo - CIC Publicado: 06/06/2016
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